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sábado, 8 de novembro de 2008

Edificações: Viadutos

Numa cidade com geografia acidentada e com uma crescente necessidade de implantar formas de ligação de um local a outro, os viadutos marcam momentos de progresso na metrópole. Sobre a responsabilidade da Secretaria de Infra-Estrutura Urbana, são 136 viadutos que a cidade dispõe.


O Viaduto do Chá, que foi inaugurado em 8 de novembro de 1892 , o primeiro viaduto de São Paulo, idealizado em outubro de 1877 pelo francês Jules Martin. Durante os 15 anos que a obra levou para ser concluída, Martin teve de convencer os paulistanos da necessidade de ligar a Rua Direita com o Morro do Chá - como era conhecida a área onde estava a chácara dos barões de Tatuí, com plantações de chá.
Os trabalhos só começaram em 1888, mas foram interrompidos um mês depois, por causa da resistência dos moradores da região. O Barão de Tatuí estava entre os moradores que seriam desapropriados e ele não pretendia sair de sua casa. Até o dia em que a população favorável à obra armou-se de picaretas e atacou uma das paredes do sobrado. Com "argumentos" tão convincentes, o Barão resolveu mudar-se.
A construção do viaduto só foi retomada em 1889. Três anos depois, com estrutura metálica vinda da Alemanha, foi inaugurado o Viaduto do Chá. Houve uma grande festa, interrompida pela chuva que "batizava" o novo marco de São Paulo. E com uma curiosidade: a Companhia Ferrocarril, responsável pelo viaduto, cobrava três vinténs de pedágio de quem precisava passar para o lado de lá do rio Anhangabaú.
Por lá sempre passavam as pessoas mais refinadas, dirigindo-se aos cinemas e lojas da região e, mais tarde, ao Teatro Municipal, inaugurado em 1911. Os suicidas também eram freqüentadores assíduos do lugar. A cidade cresceu e, em 1938, a construção de metal alemão com assoalho de madeira já não suportava mais o grande número de pessoas que por lá passavam diariamente.
No mesmo ano, o velho Viaduto foi demolido, dando lugar a um novo, feito de concreto armado e com o dobro de largura. Desde então, pouca coisa foi modificada. Em 1977, a prefeitura proibiu o tráfego de veículos particulares. No mesmo ano, a calçada que liga a Xavier de Toledo com a Falcão Filho foi alargada. No centenário, em 1992, o piso foi reformado. Atualmente, o tráfego de veículos no viaduto é autorizado pela prefeitura e não há mais a cobrança de pedágio para usufruir da edificação.


Confira o histórico de alguns outros viadutos na cidade:


VIADUTO DA RUA AUGUSTA
O pequeno viaduto de 29 metros, que liga a região leste/oeste, foi construído em 1968. Faz parte de uma das ruas mais movimentadas da cidade de São Paulo, a rua Augusta. Na década de 60, a rua Augusta era uma das áreas residenciais mais cobiçadas da cidade, foi pouco a pouco se tornando um centro de compras e entretenimento noturno.

ELEVADO DO GLICÉRIO
No ano de 1969, a Prefeitura de São Paulo inaugurava a primeira alça do viaduto do Glicério, mas só em 1972 é que o Elevado foi totalmente construído. A sua extensão é de 1.000 metros e tem três alças, a primeira que liga o viaduto do Café ao Glicério; a segunda, ao Brás; e a terceira, à Radial Leste. Se o Elevado do Glicério fosse construído hoje, certamente o método de execução da obra não seria o utilizado no final dos anos 60. Naquela época os transtornos causados para a população em função de uma obra com o tamanho do Elevado eram muitos. Até que a armação de concreto ganhasse resistência, uma estrutura metálica sustentava o corpo da construção, hoje a obra é feita com pré-moldados.

VIADUTO PACHECO CHAVES
No final do ano de 1964, a Prefeitura de São Paulo inaugurava o viaduto Pacheco Chaves, com 400 metros de extensão. Tratava-se de uma das maiores obras municipais, pois sua construção durou exatamente um ano. A estrutura de concreto armado e protendido liga a rua Capitão Pacheco Chaves à rua dos Patriotas, passando sobre a Ferrovia da Fepasa.

ORLANDO MURGEL
O viaduto Orlando Murgel, construído em 1969, tem 429 metros de extensão e fica localizado na avenida Rio Branco.

VIADUTO DA SANTA EFIGÊNIA


Considerado uma obra marcante em São Paulo, cruzando o Vale do Anhangabaú desde o Largo de São Bento até o Largo Santa Efigênia. Transformou-se em postais e passou a ser paisagem de referência e beleza do centro-velho. A construção desta estrutura foi idealizada em 1893, quando a Câmara Municipal autorizou a desapropriação do terreno existente entre o Mosteiro de São Bento e a Companhia Paulista de Vias Férreas e Fluviais. Mas foi só em 1908 que a obra foi iniciada, ficando pronta no ano seguinte.



VIADUTO DO CAFÉ

Situado na Av. Radial Leste/Oeste, desde 1969, o viaduto Café - nomeado de tal forma devido a grande importância que a especiaria teve para a cidade de São Paulo nos meados do século XIX e ínicio do XX- possui 280 m de extensão e 29 m de largura.

VIADUTO DA LAPA
O viaduto Com. Elias Nagib Breim, mais conhecido como Lapa, foi construído em 1962 e tem 300 metros de extensão.

VIADUTO PLÍNIO DE QUEIROZ
Inaugurado em 1971, na avenida 9 de Julho, o viaduto de 600 metros de extensão passa sobre a Praça 14 bis. Possui um ponto de ônibus de intensa utilização pública, mais conhecido como estação VAI-VAI, devido a presença de escola de samba na imediação.

VIADUTO CONSELHEIRO CARRÃO
Inaugurado em 1970, no ano em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo de Futebol, o viaduto Conselheiro Carrão tem 420 metros de extensão.

VIADUTO BRESSER
A região, onde o viaduto Bresser foi construído, ficou conhecida por ter sido o porto seguro de muitos imigrantes, que vieram ao Brasil em busca de novos desafios. O viaduto tem 1.270 metros de extensão e foi inaugurado em 1971.


por Fagner Soares

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Salvem os monumentos!

Quem passa pela Praça Ramos de Azevedo, Avenida Paulista e Parque do Ibirapuera começa a estranhar o que vê. Desde o dia 19 de outubro, 15 monumentos históricos da cidade de São Paulo ganharam coletes salva-vidas do artista plástico Eduardo Srur. O artista, que já colocou garrafas PET gigantes espalhadas em um trecho do Rio Tietê, é conhecido por seus protestos em forma de arte nas grandes áreas urbanas.

Segundo Srur, a ocupação dos monumentos com coletes salva-vidas tem como objetivo a reativação visual destes para a população, buscando uma provocação de sentidos em quem passa pela cidade e não repara mais nas obras.

A obra ganhou o nome de "Sobrevivência" e conta com o apoio do Centro Cultural do Banco do Brasil.

Quem ficou preocupado com o estado dos monumentos após a intervenção de Srur, pode ficar despreocupado. Os coletes são feitos sob medida para cada obra e confeccionados com materiais especiais, que não danificam o patrimônio público.

Quem circula pelo Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 14 de dezembro, mesma data em que acaba a permanência dos coletes nas obras, poderá conferir um vídeo inédito sobre o projeto. Confira um trecho:


http://www.youtube.com/watch?v=6sntavJVUjA


Saiba quais são as obras que ganharam coletes salva-vidas e conheça um pouco mais sobre elas:

Borba Gato
Praça Augusto Tortorello de Araujo
- Obra revestida por pedras brasileiras, criada em 1962 por Júlio Guerra.

Anhanguera
Avenida Paulista
- Criada Luiz Brizzolara na Itália, em 1924. Foi transferida para o PArque Trianon em 1935.

Camões
Praça Dom José Gaspar
- Escultura feita por José Cucé e doada a São Paulo em 1942.

Cristóforo Colombo
Praça Panamericana
- Localizada na região de Pinheiros, criada por Luiz Morrone.

José Bonifácio de Andrade e Silva
Praça do Patriarca
- Feita por Alfredo Ceschiatti e inaugurada em 1972 como parte das comemorações do aniversário de 150 anos da Independência do Brasil.

Monumento a Ramos de Azevedo
Cidade Universitária - Praça Ramos de Azevedo
- Feito Galileo Emendabili, homenageando o arquiteto idealizador do Teatro Municipal de São Paulo e do Palácio da Justiça.

Monumento à Independência
Parque da Independência
- Inaugurado durante os festejos do aniversário de 100 anos da Independência do Brasil, em 1922, por Ettore Ximenez.

Rui Barbosa
Praça Ramos de Azevedo
- Peça em bronze, criada pelo escultor José Cuccé.

Semeador
Praça Apecatu
- De Caetano Fracaroli. Instalado originalmente no Jardim do Parque Dom Pedro nos anos 40, hoje se encontra na Praça Apecatu.

San Martin
Praça General San Martin
- Obra de criação de A. Berna, no início 1980.

Ibrahim Nobre - O Tributo
Parque do Ibirapuera
- Obra de Luiz Morrone, em homenagem a um dos maiores nomes revolução constitucionalista de 1932.

Luiz Pereira Barreto
Praça Marechal Deodoro
- Inaugurado em 1929 e concebido pelo artista italiano Galileo Emendabili.

Monumento ao Duque de Caxias
Praça Princesa Isabel
- Em homenagem a Duque de Caxias, criado por Victor Brecheret e inaugurado em 1960.

Monumento a Carlos Gomes
Praça Ramos de Azevedo
- Criado pelo artista Luiz Brizzolara, na Itália, no ano de 1922.

Armando de Salles Oliveira
Cidade Universitária - Praça Reinaldo Porchat
- Monumento inaugurado em 1977 pelo artista Bruno Giorgi.

Vitória
Av. Santos Dumont
- Obra atual, criada por Odette Eid, no ano 2000.

Agnaldo Junior

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Avante!

O Descubra São Paulo, a partir desta semana, começa a publicar matérias e reportagens sobre a história de seus bairros, dos espaços culturais (teatros, museus, casas de shows, etc) que carregam a magia e tornam de São Paulo essa megalópole cultural.

Com 453 anos, São Paulo foi e continua sendo o palco de inúmeros marcos históricos. Detentora de uma imensa quantidade de opções de lazer e cultura, é pretensão alguém dizer que a conhece inteiramente. Todos os dias caminhamos, atravessamos, cruzamos algum canto que tem uma (ou muita) história pra contar. E essa vai ser nossa missão: mostrar o que os lugares que já conhecemos (e os que só sabemos o nome) têm para nos dizer, o seu significado, o porquê de sua existência.

Locais como o Ipiranga, o monumento das Bandeiras no Ibirapuera, a Pinacoteca na estação da Luz, assim como os bairros onde se estabeleceram imigrantes europeus (Bexiga, Mooca, Pinheiros, Higienópolis) e do resto do mundo (Liberdade, Santa Cecília) são alguns dos pontos que serão desbravados por nossa equipe.

O Descubra São Paulo tem como objetivo central fazer com que você saia por aí e viva o que nossa cidade tem para oferecer (e não estou me referindo aos mais de 70 shoppings centers espalhados pelos mais de 100 bairros) e descubra, por si só, então, o que faz de São Paulo ser tão fascinante e procurada.

Você pode colaborar mandando idéias para o email: descubrasaopaulo@gmail.com ou deixando sua sugestão no próprio formulário de comentário.